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A UNIDADE FRAGMENTADA
Por Raviv Rozen

O que foi que aconteceu?

Como nossa casa ficou tão bagunçada?

Para onde quer que olhemos o caos parece ter se instalado. Nem a ciência nem a razão têm conseguido colocar ordem em nossa casa. É fato que a promessa do esclerosado paradigma cientificista de trazer bem-estar à humanidade não foi cumprido em sua totalidade. Afora os avanços tecnológicos que merecem nossa admiração, abismados vemos a contínua degradação dos valores sociais de boa convivência, tolerância e paz. Nosso meio ambiente cada vez mais explorado a cada dia se aproxima mais de um desequilíbrio cataclísmico irreversível que pode ceifar a vida de boa parte da humanidade, quiçá, extinguir por completo a espécie humana. E, por fim, nós, como indivíduos, em vez de chegarmos mais perto da felicidade, parecemos estar com mais medos, doentes e infelizes.

Suspeita-se que existe algo de muito errado com a forma pela qual estamos lidando com nosso mundo. Pois, mesmo sabendo deste prognóstico desolador, continuamos seguindo neste mesmo rumo. É certo que existe um potencial primoroso no ser humano. Mas aparentemente uma mudança efetiva de consciência e atitudes anda a passos lentos, enquanto a degradação e as mazelas de nossa existência correm a passos largos.

Sabemos que não são pessoas más as responsáveis por esse quadro. Somos todos nós que, munidos de nossas melhores intenções, somos responsáveis, em menor ou maior grau, por todos os esses problemas. A vontade de mudar existe e nossa melhor opção é começarmos por nós mesmos.

Então, o que há de tão errado com a gente?

Aqui na UNIPAZ há muito mergulhamos nesta enigmática pergunta. E nosso reitor o Dr. Pierre Weil que, inspirado em diversas filosofias, trouxe luz a esta questão. Em seus estudos e vivências, Weil ratificou que na mente dos homens se encontra a raiz para nossos comportamentos tão contraditórios. Segundo ele, o ponto de distúrbio reside em uma ilusão que afeta a todos nós, uma impressão errônea de que nós somos “apenas indivíduos”.

Weil deu-lhe o sugestivo nome de A Fantasia da Separatividade.

Para entendermos melhor este conceito, sugerimos uma breve dinâmica. Interrompa um pouco sua leitura e pense durante alguns momentos na natureza. Deixe os pensamentos fluírem e procure pensar em que imagens lhe vêm à mente quando você pensa na natureza... Muito bem, agora faça a mesma coisa só que desta vez pense na sociedade. Calmamente descubra, que imagens lhe vêm à mente quando você pensa na sociedade humana? Se possível, anote-as.

Muitas imagens distintas podem surgir desta dinâmica. Alguns poderão ver a natureza pelas suas belezas, outros pela sua destruição. Igualmente a sociedade pode ser representada de diversas maneiras. Entretanto, procure nas suas reflexões e veja se você mesmo está nelas incluído.

Como vimos, é comum não nos darmos conta de que, além de indivíduos, somos também sociedade e natureza. E esta é a prova da existência da Fantasia da Separatividade, como raiz de nossos problemas. Somos natureza, como qualquer outro animal o é, e, sendo assim, qualquer mal que a atinge, nos atinge também.. E obviamente também somos sociedade, pois é literalmente de nós que ela é constituída, e, o que a aflige, nos aflige diretamente também. Então, por que quando falamos na sociedade e na natureza continuamos a “apontar o dedo” para fora? Esta fantasia, de que nós somos separados do resto do mundo, é a pequena bola de neve que resultou nesta “avalanche” que vivemos hoje em dia. Veja bem, no momento em que nos sentimos separados dos outros começamos a priorizar a resolução de nossos problemas pessoais deixando, em segundo plano, os demais problemas que, aparentemente, não nos atingem diretamente, para resolvê-los “quando houver tempo disponível”. A maioria de nós passa a vida perseguindo seus sonhos individuais (dinheiro, fama, amor, poder...) e, quando os alcança, é comum verificar que ainda não está satisfeita. Isso porque, ao tentar realizar esses sonhos, o verdadeiro objetivo é encontrar paz de espírito e felicidade. Todavia, esse grau de bem-estar não pode ser alcançado por um indivíduo se o contexto em torno dele não estiver minimamente equilibrado.

É por isso que é importante explicitar que a fragmentação do mundo pela nossa mente não resultou apenas na divisão do conhecimento como constatamos no esclerosado paradigma disciplinar, mas se tornou um paradigma estruturante. Segundo Roberto Crema, vice reitor da UNIPAZ, um paradigma “é muito mais que uma teoria, pois implica em uma estrutura que gera teorias, produzindo pensamentos e explicações e representando um sistema de aprender a aprender que determina todo o processo futuro de aprendizagem”.. Ou seja, fomos educados a separar, dividir e fragmentar em diversas partes estanques os mais diferentes aspectos de nossa existência, seja ela no âmbito individual, social ou ambiental.

Ressaltemos que estas partes não estão separadas! (esta afirmação é um dos princípios fundamentais da Paradigma Transdisciplinar Holístico) Cada aspecto afeta o outro direta e indiretamente, pois faz parte de um grande sistema complexo, a que chamamos de mundo, e que é, em última instância, nossa própria Casa Maior.

Entender a Fantasia da Separatividade como conceito não é suficiente para mudarmos nossa maneira tão enraizada de ver o mundo. É por isso que o Programa de Formação Holística de Base, da UNIPAZ-RJ, com seus projetos de Pós-graduação e Extensão Universitária na Abordagem Transdisciplinar Holística, oferece uma jornada mínima de dois anos que precisa ser trilhada para que se possa efetivamente vivenciar esta mudança de paradigma. Ao trabalhar com teorias que permeiam e interconectam os diferentes aspectos do saber (tanto na ciência, como na arte, filosofia e tradições espirituais) e com vivências (holopráxis) mobilizadoras, os aprendizes conseguem, aos poucos, rever-se a si mesmos, a sua maneira de perceber o mundo e, conseqüentemente, passam a contribuir mais para um mundo melhor. Como já dizia o Mahatma Gandhi: “Seja a mudança que você deseja ver no mundo.”

Raviv Rozenkviat, Doutor em Psicologia Social pela UERJ, mestre em Psicologia e psicólogo pela PUC-RJ, pós-graduado em Abordagem Transdisciplinar Holística pela UNIPAZ-RJ/Faculdade São Judas Tadeu, docente, vice-presidente da UNIPAZ-RJ e Membro do Colegiado Acadêmico da UNIPAZ-RJ.

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